quarta-feira, 19 de março de 2008

Os meus amigos


Os meus amigos consideram-me uma pessoa reprimida. Acham que vivo em luta comigo própria tentando esconder quem sou. Os meus amigos sabem e eu confesso que a exposição me assusta, me atormenta. Detesto ficar sujeita ao julgamento dos outros e por isso é-me muito mais fácil assumir uma conduta "low profile", em que não sou nem boa nem má. Embora goste de me posicionar nesta zona de conforto, muitas vezes já fui a extremos. E não gosto. Não gosto porque posso ser injusta, pouco cautelosa e até ridícula! Os meus amigos sabem e têm razão: eu não gosto de chamar a atenção. O que os meus amigos não sabem é que o facto de me controlar sabe-me bem. Não sabem, que aquilo que sinto quando não cedo ao que todos cedem, é bom! Os meus amigos dizem que o faço apenas em função dos outros. Eu digo que o faço em função de mim. Os meus amigos não sabem ver que as grandes emoções não são para mim. Bastam-me aquelas às quais não consigo fugir. O que os meus amigos entendem por emoções eu entendo por perigos e colocar-me em risco não me excita. Os meus amigos não percebem que quando controlamos muito poucas coisas nas nossas vidas, o facto de as comandarmos de vez em quando é inspirador! Os meus amigos não sabem que simplesmente não desejo fazer as coisas que eles gostam. E que isto não é repressão. Os meus amigos não sabem que é não é defeito, é feitio. Os meus amigos não sabem que desejo cada vez mais um quarto branco com vista para o mar e o som das ondas ao fundo. Eu sei que é isto que me faz sentir viva, resguardada, calma, segura. O que os meus amigos não sabem, é que não tenho motivo para me reprimir agindo contra mim e em favor do que acreditam. Ainda assim, eu gosto muito dos meus amigos!

3 comentários:

MiSs Detective disse...

o que os teus amigos sabem e que tu não é que podias ganhar muito mais se te libertasses das tuas próprias amarras e disso os teus amigos nao duvidam.

P. disse...

Eu não ia comentar, a sério que não, mesmo porque seria estar a dar-te razão, mas esta parte:

"as grandes emoções não são para mim. Bastam-me aquelas às quais não consigo fugir"

Esta parte perturba-me... as são o que nos faz humanos, e as grandes emoções o que nos faz sentir vivos! Não fujas delas :D

MiSs Detective disse...

o p. hoje está inspiradissimo!