segunda-feira, 27 de junho de 2011

Saudade

Mar Impossível

Na neve mais pura escrevo
As saudades do meu mar:
Tenho saudades da areia
Branca de neve ao luar.

Tenho saudades do vento
Que sopra breve, indeciso,
Leve como um pensamento
Do céu azul, calmo e liso.

Tenho saudades das ondas,
Das conchas e das sereias.
Aqui as ondas são poucas
E vivem paredes meias

No coração com a saudade
De não ver o mar sem fim.
(Quando não posso cantar
Tenho saudades de mim.)

Camané

Foto: Matryoshka, Ericeira, Fevereiro 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

É Verão!

E eu continuo a usar botas. E estou branca que nem uma lula. E uso lenços à volta do pescoço. E casacos. E esta é a pior parte de Londres!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Keep it simple

Em casa, doente e de estômago revirado. Saída mais logo ao fim do dia e nem o entusiasmo que deveria ter, tem. A cabeça está a mil e nem uma sesta vai ajudar a parar o frenesim da mente. A ansiedade é isto. Pergunto-me, vezes sem conta, até que ponto vai a minha honestidade. Poderei fazer o que não faria nunca, só porque me sinto lixada? Relembro-me vezes sem conta de que tudo é mais fácil quando mantemos as coisas simples. A perspectiva é mais clara, o que não significa que seja mais simpática. E então, volto a complicar. A deslindar todas as palavras, gestos, conversas, só para ter a certeza de que tenho razão e assim alimentar o lado mais autodestrutivo do meu ego. E ele sorri, insuflado e feliz com tanta dúvida, só para se certificar de que as contas que faz são as certas. E enquanto isso, eu ando atordoada. No pensamento vai a convicção de que não queria mais este teste. Reminder para hoje e sempre:

Keep it simple!*

*And honest. Ever.