Há demasiadas palavras desordenadas na cabeça. Aparecem e desaparecem e voltam com sentidos diferentes. É um atropelo de emoções e desordem e é difícil parar e arrumar tudo no seu lugar. Porque os lugares estão a mudar e a ser transferidos para novas gavetas e molduras. É no sem-sentido que tudo acontece e a velocidade é vertiginosa, não abranda. A memória diz-me que nunca antes tanto se alterou em simultâneo mas sei que não é verdade. Ao longe, apenas o medo e a dúvida. De tempos a tempos, tudo acontece mas o que acontece nem sempre é o Tudo. A diferença é essa e reside no trocadilho que quebra a segurança e o conforto. Crescer é isto e é impossível fazê-lo sem confronto. A vida atropela-nos. Cabe-nos a tarefa de tentar arrumar tudo outra vez.
domingo, 31 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Hard Times
Não sei se foi das passas (ou uvas) que não comi. Da peça de roupa emprestada que não usei. Dos desejos que não formulei. Ou da peça de roupa nova que não vesti. Não sei o que terá sido, mas este início de ano é o pior de muitos. Aquilo que me sabia bem era desaparecer daqui e acordar noutro sítio com uma vida completamente diferente. Não me canso de dizer que um dia destes vou para o campo cultivar batatas, couves e cenouras. E a esta altura, não tenho a menor dúvida de que teria uma vida muito mais tranquila e descansada. Os próximos dias não serão melhores, continuarão as mudanças forçadas e amargas que nos deixam um nó na garganta. Entre tumultos no trabalho, a partida da minha mãe para longe e o regresso à casa que tanto gosto mas para onde não quero voltar, há de tudo um pouco: lágrimas, palavrões raivosos e gratidão.
Estou cansada. Nem sequer consigo acabar este texto... a criatividade está nos níveis mais baixos dos últimos tempos. Fica assim. Amanhã pode ser que esteja mais animada.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
До свидания*
Como já tinha dito aqui, o tasco vai mesmo fechar. Daqui para a frente, será necessário estar na guest list (essa coisa tão na moda!) para entrar nesta casa. Talvez um dia, quem sabe, eu volte a abrir as portas.
Enviem-me um e-mail para abonecarussa@gmail.com e ficarão, desde logo, convidados a entrar.
A todos, obrigada pelas visitas. A Matryoshka vai recolher-se nas suas bonecas e espera um dia voltar a sair...
*Adeus
Enviem-me um e-mail para abonecarussa@gmail.com e ficarão, desde logo, convidados a entrar.
A todos, obrigada pelas visitas. A Matryoshka vai recolher-se nas suas bonecas e espera um dia voltar a sair...
*Adeus
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Amor Prozac
dos falhanços espectaculares
Houve um tempo em que, nos amores e nas paixões, se falhava de forma espectacular. Com baba e ranho. Dava-se tudo. Saímos rasgados de pele e coração. Valia sempre a pena, mesmo quando perdíamos o chão.
Os erros, as faltas, as vertigens, o pé à beira do abismo existiam para nos lembrarmos de que somos humanos. A regra era cair e levantar, prontos para outra depois de lutos intensos, sofridos, partilhados. Agora tudo isso existe sob a forma de prevenção. Para nos lembrarmos do que não devemos fazer, dos riscos que não devemos correr, contra o vírus da solidão.
Fomos ficando higienizados. Da alma à cama. Uma espécie de "se conduzir, não beba" para evitar os males do coração. Como se pudéssemos dizer "se amar, não se magoe".
Com o passar dos anos, aprendemos a contornar os sintomas a bem da decência, da pose e da anestesia geral ou local, conforme as necessidades. O importante é não dar parte de fracos.
O ciúme é uma coisa moderna, para ser compreendida.
A discussão acalorada está fora de moda.
A vingança é um prato que não se serve frio nem quente nas relações mais conceituadas. É coisa do povo, ementa de vidas de tasco, entre um tiro de caçadeira e um facalhão de meter respeito.
O civismo entrou definitivamente na nossa intimidade para amansar os corpos, os gestos, as palavras. A postura é um fato de pronto-a-vestir que o usamos para entrar e sair das relações. Talvez até já nem se rasguem roupas quando chega a hora. O sentimento não ferve, a aprendizagem das loucuras que fizemos é renegada e a história do que fomos não tem disco duro porque a caixa de mensagens é mais prática e descartável. De resto, já não há cartas para guardar porque ninguém as escreve. Quem as leria, de resto, se tivessem mais de 140 caracteres?
Como num poema do Eugénio, já não há nada que nos peça água. E estamos com ela: insípidos, inodoros e incolores. Leves. Capazes de ir do tudo ao nada sem efusão de sangue. Deve andar a escapar-nos o momento em que deixamos de olhar a vida nos olhos e a desregrada infinidade de coisas que vinha junto com ela.
in Egoísta, Edição Crise de Bolso, Setembro 2009
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