segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Confissões # 24

Enquanto escrevia o post anterior, percebi que a balança desta relação pende bastante mais para aquilo que me entristece do que para aquilo que me alegra. Perguntei-me, inevitavelmente: "o que fazes tu aqui?"

O dilema

Confessei aqui que estava num dilema. Poucos dias mais tarde, sugeri apostas. Esse, na verdade, era apenas um meio-dilema que a vida resolveu (pelo menos aparentemente) por si só. Quanto ao primeiro, mantém-se. Depois da certeza de um "sim", veio a incerteza. Seguiu-se um "não" pouco convicente. Acertadas mais umas agulhas, vem o "sim" outra vez. É como se tivesse duas vozes dentro de mim, uma incentivando-me a arriscar, dizendo que não será fácil mas que nunca terei conviver com um "se...". A outra, racional, lógica, grita-me que não. Que não faz sentido, que me votarei a uma tristeza da qual não preciso para aprender novas lições.

Para me fazer entender, teria de explicar que ele me propôs mudar-me para casa dele. Teria também de explicar que não se trata de um "vamos juntar as escovas de dentes", mas antes de um "confio em ti para olhares pelas minhas coisas enquanto eu não estiver por cá". Teria de dizer que esta não é a relação ideal. É uma relação cheia de defeitos, falhas, por vezes, de suspeitas. Mas teria também de confessar o quanto me sinto em paz em alguns momentos. O quanto adoro a intimidade que fomos criando ao longo de um caminho com alguns tropeções: os nossos pés a mimarem-se debaixo do cobertor, as cócegas logo pela manhã, as palavras em português no meio de frases ditas em inglês. 

Todas as pessoas com quem partilhei este dilema, me aconselharam com as perguntas "E quando ele não estiver lá?", "E quando ele voltar, como será?", "É, sem dúvida, uma situação muito vantajosa para ele. Qual é a vantagem para ti?". Também eu questiono o mesmo. Conseguirei viver o dia-a-dia, sabendo-o tão longe, mas tão perto da vida dele? E o retorno, como será? Mais ainda, porque tenho eu este dilema? Num mundo perfeito, ele nem existiria.

Dos anos de vida que levo, ainda tenho tudo para aprender. No entanto, há uma certeza que trago comigo: os únicos arrependimentos que guardo, são aqueles em que deixei a dúvida reinar. E apesar de acreditar religiosamente  que cada pessoa tem a si a resposta certa, não consigo ignorar o que os outros me dizem. 

Pedi um tempo para pensar. Fui honesta:  esta é mais do que uma mudança logística. O meu coração está envolvido e que eu não quero magoá-lo em vão. A resposta vai aparecer.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Confissões # 23

Este foi o fim-de-semana emocionalmente mais turbulento desde que estou em Londres. E aguardam-se desenvolvimentos. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meio ano

Já levo meio ano de vida em Londres. E apesar das saudades de casa, do clima maravilhoso de Portugal, da paparoca como só nós sabemos cozinhar e da aparente insegurança vivida recentemente, faria tudo de novo. Em tópicos:

  • Convulsões sociais vividas: 1
  • Avistamento de carros estacionados em cima do passeio: 0
  • Avistamento de arrumadores de carros: 0
  • Presenciamento de detenções na via pública: 1
  • Mudanças de casa: 1
  • Mudanças de telemóvel: 1
  • Idas ao médico: 4 - com direito a uma ida às urgências do hospital
  • Embriaguez: 3 e meia (a meia foi ontem à noite)
  • Discussões em inglês: 2
  • Avarias no computador: 1
  • Romances: 1
  • Novas amizades: uma mão cheia
  • Idas a Portugal: 2
  • Lágrimas de saudade: muitíssimas 
  • Visitas de amigos portugueses: 2
  • Visitas de familiares: 1
  • Flatmates até ao momento: 2
  • Número de cigarros diários: pelo menos 10
  • Nacionalidades com as quais já travei conhecimento: incontáveis
  • Petisco de caracóis: 1
  • Noites de Fado: 2

Continuo a sentir que todas as possibilidades estão em aberto e que ainda há muito por fazer e por viver. E só por isso, vale a pena estar aqui!

Confissões # 22

Não sei se a dor de cabeça que tenho desde manhã foi do vinho chileno de ontem ou do dilema em que me encontro.

Para terminar este assunto

Faço minhas estas palavras

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Imagine

6:30 da tarde. Oxford Street muito vazia. Muitas lojas fechadas, algumas com anúncios nas montras avisando que não há stock no interior. Estação de metro de Oxford Circus. A habitual confusão dá lugar a espaços vazios. A caminho da plataforma, no local destinado a músicos amadores, um homem toca e canta «Imagine» de John Lennon. Não poderia ser mais apropriado e mais triste. A cara de Londres é, indiscutivelmente, outra.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

London riots

As imagens são assustadoras. São vários os email, mensagens e telefonemas que tenho recebido de casa a perguntar se se sente o que se passa por aqui nos últimos dias. Não vi sinais de violência alguma e tirando o forte dispositivo policial em Oxford Street esta tarde, nem diria que a cidade está a ferro e fogo! Mas não deixa de ser preocupante. A violência alastra a cada noite e pelo sim, pelo não, vale mais ficar sossegada em casa! Se por um lado o que sinto é tristeza, por outro sinto apreensão. Não querendo e não gostando de ser alarmista, este tipo de brutalidade, sobretudo quando é gratuita (que é o caso), não me é indiferente e quando olho para o mapa das zonas onde têm ocorrido os distúrbios, vejo a zona onde moro lá no meio... O mesmo não acontece com alguns amigos, literalmente, enclausurados em casa!

Não consigo deixar de me perguntar como se passa de uma vigília silenciosa a esta barbárie. Não há dúvida de que ainda somos muito primitivos... As imagens falam por si.




domingo, 7 de agosto de 2011

Back 2 London

E no dia do regresso a Londres, chego com esta triste notícia. Também eu vivo no norte de Londres e não gostaria de ver repetido este episódio nos próximos dias. Para lágrimas, já me bastam as que chorei na descolagem do avião. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011