terça-feira, 26 de julho de 2011

Até amanhã Lisboa!

Sol, praia, mar, um gelado, sangria, sardinhas assadas, caracóis e salada de polvo, o Chiado, a Graça e a Senhora do Monte, Pastéis de Belém, Fado, o Bairro Alto, o céu azul inigualável, o Tejo, a Baixa e o Rossio, a calçada portuguesa, abraços e beijos, sorrisos e gargalhadas, um copo de vinho, uma bica, uma esplanada (ou várias), o Castelo, o eléctrico 28, a Praça das Flores, os telhados inconfundíveis, o calor do Verão e das gentes. Tudo isto e muito mais. Até amanhã Lisboa!


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ja nao tenho idade...

Este fim-de-semana estraguei-me. E estraguei-me a seria! Se foi divertido? Muito. Se me sinto em forma? Nem pensar! Assim concluo que, a uma semana do meu 31 aniversario, ja nao tenho idade para esta vida. Ele e cansaco, dores no corpo, sono fora-de-horas e, na cabeca, a frase que nao me larga: "Terei falado demasiado?" Cansada como estou, tenho para mim que uma boa noite de sono dissipara as duvidas e restituir-me-a a boa forma. Na certa, ja nao tenho idade para isto...

*Nao fiquei preguicosa de repente... Estou mesmo num teclado sem acentos, nem cedilhas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O meu fado

Quando fazemos uma mudança drástica nas nossas vidas, como mudar de país, ponderamos os prós e os contras vezes sem conta. Não é nunca de ânimo leve (creio eu) que se decide virar tudo do avesso e começar de novo. E muitas das dúvidas que tinha antes de vir para Londres ainda me assombram. Não penso nisso a toda a hora mas de tempos a tempos (leia-se, pelo menos uma vez por semana), sou assaltada por algumas interrogações. E se habitualmente as tomo como parte do processo de adaptação, é geralmente em conversas banais que nos apercebemos do quão estranhas podem ser as nossas opções. 

Desde há muitos anos que pensava em vir para Londres. Por uma razão ou outra, por falta de coragem ou, simplesmente, porque a vida ia acontecendo e nunca parecia ser a altura certa, fui adiando a vinda. Mas acho que sempre soube que viria. Quando decidi finalmente arriscar, pesei uma série de coisas que já tinha e das quais iria abdicar para embarcar nesta mudança. E mesmo assim arrisquei. Penso algumas vezes nessas coisas: em Portugal vivia sozinha numa boa casa (apesar de não ser nas condições ideais); em Portugal tinha carro (apesar de não ser nas condições ideais); em Portugal tenho a maioria da minha família e amigos. Em Londres, divido um apartamento e o meu quarto é pouco maior que uma das casas-de-banho que tinha em Lisboa; em Londres ando de transportes, entre milhares de pessoas e sujeito-me aos horários do metro, autocarro, etc.; em Londres fiz alguns amigos mas não consigo evitar a saudade imensa e o vazio de não ter quem mais amo por perto.

Entretanto, a A., amiga de longa data veio a Londres por uns dias. Passámos o fim-de-semana juntas e não consigo esquecer o que senti no momento em que a vi. Falamos com muita frequência, seja via Skype ou por telefone, mas vê-la à minha frente foi uma lufada de ar fresco! Acho que nos revemos sempre nos outros e vê-la foi como ver-me fora desta rotina. No Domingo, em conversa banal, falávamos do que faríamos se ganhássemos o Euromilhões. E foi aqui que me surpreendi a mim própria. Nas minhas palavras:

«Se ganhasse o Euromilhões, comprava uma casa em Lisboa mas não me ia embora daqui.»

Ela, naturalmente, olhou-me com espanto. E eu espantei-me com o que disse. Que raio de coisa me prenderá a esta cidade? Tenho menos, muito menos do que tinha em Portugal. Estou longe de tudo o que é confortável, familiar e que adoro. Tenho muitos momentos de melancolia e saudade e outros tantos de solidão. Por que motivo insisto e sinto que, pelo menos para já (e sem data de regresso marcada), é aqui que vou ficar? Apenas duas explicações me ocorrem: ou adoro a sensação de desafio pessoal ou há qualquer coisa que tenho de fazer aqui e ainda não sei o que é. Se acredito em karma ou destino? Até certo ponto, mas quando de forma racional e lógica não encontro explicação para esta escolha, pondero se não será mesmo o destino a cumprir-se. Só o tempo o dirá. 

5 Meses

Olho para o calendário e penso «o dia 11 diz-me qualquer coisa...». E a meio da manhã lá me lembro: faz hoje 5 meses que cheguei a Londres. Vamos a factos:


  • Avistamento de carros estacionados em cima do passeio: 0
  • Avistamento de arrumadores de carros: 0
  • Presenciamento de detenções na via pública: 1
  • Mudanças de casa: 1
  • Mudanças de telemóvel: 1
  • Idas ao médico: 4 - com direito a uma ida às urgências do hospital
  • Embriaguez: 2
  • Discussões em inglês: 2
  • Avarias no computador: 1
  • Romances: 1
  • Novas amizades: uma mão cheia
  • Idas a Portugal: 1
  • Lágrimas de saudade: muitíssimas 
  • Visitas de amigos portugueses: 2
  • Visitas de familiares: 1
  • Flatmates até ao momento: 2
  • Número de cigarros diários: pelo menos 10
  • Nacionalidades com as quais já travei conhecimento: incontáveis
  • Petisco de caracóis: 1
  • Noites de Fado: 2

E de mês para mês vou acrescentando mais uma ou outra coisa, embora no último não tenha acontecido nada  que mereça grande destaque... Coisas por fazer ainda? Milhares! Mas de momento estou concentrada na busca do meu Santo Graal. Essas coisas acontecerão quando lá chegar.*

*Bem sei que isto não diz rigorosamente nada mas quando lá chegar, direi.

domingo, 3 de julho de 2011

A franja

A dúvida persistia há alguns meses. O que fazer com a franja que me acompanha há vários anos? Cortá-la de novo? Deixá-la crescer? Andava um bocadinho farta de tê-la sempre igual e de estar constantemente a esforçar-me para tirá-la da frente dos olhos. Ontem, num acesso de loucura/estupidez, olho-me ao espelho e, de tesoura em punho, toca a cortá-la como se não houvesse amanhã! O problema é que o amanhã está já ao virar da esquina e o resultado não foi feliz. Saio a correr para a rua à procura do primeiro cabeleiro que me arranjasse o estrago e por £3 lá deram um "jeitinho" ao meu magnífico corte: franja a direito!

À noite, ao chegar junto de uma amiga, ela olha para mim e diz: Nelly Furtado! Lembrei-me que já me tinham dito o mesmo há tempos. Fico feliz com a comparação. Não tenho aquele bronze invejável (sobretudo este ano) e não sei cantar mas, pelo menos, sei dizer a palavra «força» de forma respeitável!